terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

“Conquistas da fé na gentilidade brasílica”: a catequese jesuítica na aldeia do Geru (1683- 1758)


A dissertação de mestrado abordou a aldeia jesuítica do Geru, localizado na antiga Capitania de Sergipe Del Rey, nas proximidades com o Rio Real. O marco adotado é o período que compreende a atuação dos membros da Companhia na aldeia do Geru, 1683 a 1758.

Dissertação apresentada pela aluna Ane Luíse Silva Mecenas Santos que teve como Orientadora a Profª Dra. Carla Mary S. Oliveira, da Área de Concentração: História e Cultura Histórica. Linha de Pesquisa: Ensino de História e Saberes Históricos. João Pessoa (PB). Maio de 2011

Palavras-chave: catequese, conquista, Geru, jesuítas, Mamiani, Sergipe.

A tese conta com capa, folha de rosto, ficha catalográfica, composição da banca examinadora da dissertação, dedicatória, lista de siglas, agradecimentos, resumo, abstract, lista de figuras, sumário e seis capítulos (O Dobrar do Sino; Ritos Iniciais: Os caminhos para o êxito no projeto de catequese na capitania de Sergipe Del Rey; A Liturgia da Palavra: o projeto ganha forma através da ocupação jesuítica na Aldeia do Geru; Liturgia Eucarística; Ritos de Conclusão e Referência).

O texto abordou a aldeia jesuítica do Geru, localizado na antiga Capitania de Sergipe Del Rey, nas proximidades com o Rio Real. O marco adotado é o período que compreende a atuação dos membros da Companhia na aldeia do Geru, 1683 a 1758.

É nesse cenário do encontro entre duas culturas que o trabalho se desenrolou. Nessa arena de mistura cultural foi proposto discutir as representações da catequese jesuítica produzidas na aldeia do Geru no período de 1683 a 1688, a partir dos escritos do superior da ordem na localidade, o padre Luiz Mamiani. Tais discursos de conversão normatizam regras e materializam uma cultura oral, solidificando os costumes do gentio numa cultura escrita.

A tese apresenta ao leitor como os gostos, e crenças da aluna acabaram contribuindo na construção do texto. Para a autora foi difícil estabelecer o ponto exato de quando a pesquisa começou. Então, partiu para descobrir, através da bibliografia, quantas igrejas jesuíticas existiam no estado. Deparou-se com sete e constatou que o tema ainda era amplo. A partir da leitura de Serafim Leite (1945) encontrou algo que me chamou a atenção, a aldeia do Geru, ―levantada pelo P. Luiz Mamiani della Rovere, era a mais bela de todas as Igrejas missionárias fora da Baía (LEITE, 1945, p. 326). Lá, encontrou seu objeto que, ao longo dos anos, foi passando por diversas mudanças e, afinal, ficou circunscrito a aldeia do Geru.

A tese buscou apresentar como a atuação dos jesuítas esteve presente desde as primeiras tentativas de conquista das terras acima do Rio Real e, como a partir dos contatos inicias com a população local, os padres puderam, num curto espaço de tempo, empreender suas práticas de conversão, pela atuação do padre Gaspar Lourenço e irmão Salônio. Nessa primeira atuação o jesuíta apresenta sua tentativa de ―civilizar a população gentílica, com a fundação do primeiro colégio naquelas terras. Inicialmente, foram atendidas cinquenta crianças e, posteriormente, o número chegou a cem. A normatização seguia por todo o dia, a partir, dos preceitos da Doutrina Cristã. Nas cartas que tratam dessa primeira tentativa de catequese, os padres relatam os avanços alcançados e a facilidade com que os gentios aprendiam as ―cousas da fé.

Na alva do século XVII a ação jesuítica intensificou-se no sertão da colônia lusitana do Novo Mundo. As aldeias indígenas foram transformadas num campo de disputas, nas quais a cultura e saberes locais foram dividindo o palco com a tradição cristã européia. O processo de conversão foi pautado na conquista, por almas, terras e poder. A ação catequética jesuítica nas terras situadas ao norte da capitania da Bahia resultou na produção de textos a respeito da língua e dos costumes dos povos que viviam às margens norte do Rio Real. Com isso, foram produzidos o Catecismo e a Gramática da Língua Kiriri, pelo inaciano Luiz Mamiani. Trata-se de escritos importantes para a compreensão da cultura histórica jesuíta no período colonial e de suas ações na constituição de uma nova cristandade. Partindo da relevância de tais registros, este trabalho tem o propósito de apontar alguns sinais da catequese e do método utilizado por Mamiani. 

Busca-se discutir os saberes envolvidos na construção da cultura histórica jesuítica no sertão da Capitania de Sergipe Del Rey. Além disso, a escrita de Mamiani também reflete a influência da retórica barroca, com imagens dissimuladas, cenários que mesclavam o vivido entre dois mundos distintos. Na escrita dos jesuítas da aldeia sergipana do Geru, a Europa cristã defronta-se com a América portuguesa indígena. Dois mundos aparentemente distantes se entrecruzam nas prédicas dos inacianos. A conquista da América lusitana não se fez somente com armas de fogo, mas também por meio das palavras.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Situação dos índios no território sergipano antes da chegada do colonizador

Entre 1500 a 1590, Sergipe tinha como principais habitantes os índios, inclusive recebia-os do território baiano, que fugiam da colonização portuguesa. Aqui, como a colonização não havia chegado com uma presença tão forte como no estado vizinho, os índios da Bahia se sentiam ‘protegidos’. Porém, essa ‘proteção’ começou a ser ameaçada em 1575, pois nesse período, já havia registros de padres jesuítas em território sergipano.
A chegada dos colonizadores. Google/Imagens
Antes da presença ‘forte’ do colonizador, os índios possuíam suas próprias tradições, seus costumes e crenças. A escrita não existia entre eles, que tinham a sua própria língua. A difusão de aprendizado passava de geração a geração de forma prática.

Cocar produzido pelas índias. Google/Imagens
Como não existia produção de alimentos, o que era consumido precisava ser conquistado, então, a caça, a pesca era a forma de obter alimentação, inclusive com a coleta de frutos e a plantação de raízes. O trabalho era desenvolvido de acordo com o sexo, homens pescavam e caçavam, já às mulheres produzia a comida, cuidavam do plantio, colhiam e cuidavam das crianças.

Os objetos utilizados no trabalho de caça e pesca e até nas guerras travadas para defender seu território era fabricados por eles próprios. O instinto de sobrevivência fazia com que eles criassem os objetos que necessitavam. Da natureza eles retiravam a madeira para construir arcos, flechas e canoas, além das ocas. Com as palhas, criavam cestos, esteiras e cobriam as ocas. Com penas e peles dos animais faziam vestimentas e enfeites para as cerimônias religiosas e rituais.

Instrumentos de caça e pesca. Google/Imagens
Engana-se quem pensa que as tribos indígenas não tinha organização. O Pajé era uma das pessoas mais importantes da tribo, ele era o líder religioso, o curandeiro e o responsável pela organização da tribo. O Pajé era reverenciado por ser muito sábio e deter conhecimentos espirituais e medicinais. Ele falava com os espíritos e curava as doenças através dos poderes das ervas.


Distribuição territorial

Os índios sergipanos estavam espalhados por todo o território. Os tupinambás dominavam a faixa do litoral sergipano, os Kariri mais ao Sul de Sergipe, os Boimé, Kaxagó, Katu, Xocó, Romari, Aramuru e Karapotó ao Norte de Sergipe próximo ao rio São Francisco.